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A construção do espaço urbano como elemento de gestão ambiental

Por Leticia Palumbo Felgueira



Com o ritmo de crescimento das grandes cidades do mundo, vemos ao longo do tempo um distanciamento da cidade e do campo, uma percepção de que cidade e o meio ambiente não fazem parte um do outro. Porém, apesar da dificuldade de observar a cidade como algo além de concretos cinzas e uma aglomeração de pessoas, dentro dela existe todo um meio ambiente que a inter passa cotidianamente, e está aqui há muito mais tempo que nossas construções, pois o meio ambiente não é só plantas e animais, ele é o lugar onde vivemos, muitas cidades tem um rio que passa por elas ou montanhas e árvores, e para viver bem nelas, precisamos de um ambiente com ar e água limpos, matas naturais, boa coleta de lixo e esgoto (Instituto Polis).


Segundo a Organização das Nações Unidas, em 2025 as cidades vão abrigar 61% da população mundial, e nelas se encontram os grandes centros comerciais e urbanos, boas rodovias e infraestrutura, o que incentiva as pessoas a irem em busca de trabalho nessas regiões. Entretanto, com a grande quantidade de pessoas e a extrema desigualdade, os aluguéis nas cidades costumam ser caros, o que faz a população mais pobre ocupar as regiões mais periféricas, como por exemplo as áreas de preservação permanente (APP), que são terras próximas a nascentes, rios e represas com vegetação, o que além de prejudicar o meio ambiente, esses lugares não possuem infraestrutura o suficiente para viver bem, como água encanada, saneamento básico, hospitais e etc.


Mas qual seria uma possível solução para essa questão?


Na prática, as leis buscam diminuir o máximo possível de construções nessas áreas, porém grandes bairros já tomaram conta de áreas que antes eram destinadas para proteção ambiental, o que gera mais poluição e degradação. Para resolver esse problema as prefeituras criaram as ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), construindo moradias populares em regiões com boa estrutura, evitando que os mais pobres morem na periferia e protegendo áreas de preservação ambiental.


Pesquisas já mostram a importância da aproximação do ser humano com o ambiente natural, principalmente aqueles que vivem em realidades extremamente urbanas e virtuais. É necessário que as cidades garantam qualidade de vida para sua população em geral, por meio da valorização e do cuidado de suas áreas naturais, e isso se dá a partir da criação de parques, preservação de seus rios e mananciais, pois não poderíamos sobreviver sem água e ar de qualidade, e principalmente da distribuição equitativa desses direitos para a população.


A relação das cidades com o meio ambiente é tão intrínseca, que até o aumento na conta de luz se relaciona com as plantas e sua capacidade de regular o clima de determinado local, principalmente por meio das grandes florestas tropicais como a Amazônia que impactam o clima do continente, gerando correntes aéreas de água que carregam a chuva para as cidades, portanto seu desmatamento está intimamente ligado a redução nos regimes de chuva, o que aliado com outros fatores pode gerar seca. Além disso, o abastecimento de energia elétrica no Brasil é feito majoritariamente por meio das hidrelétricas, que com a redução do regime de chuvas, o nível de água cai e a produção de energia também, podendo gerar apagões ou aumento na conta de luz.


Sugestão: se quiser saber mais sobre como acontecem as correntes aéreas de água (rios voadores) e a sua importância, clique aqui.


Portanto, podemos refletir a importância de um meio ambiente saudável para a qualidade de vida nas cidades, mesmo que muitas vezes essa relação se apresente como distante. Para a construção dessa cidade mais sustentável e justa, é necessário a participação da população de forma ativa na construção da cidade, opinando e participando das decisões do plano diretor, ir em audiências públicas e se engajar em iniciativas populares. A EJF com seus diversos e diferenciados serviços e projetos, busca atuar como um facilitador da construção de um ambiente urbano mais sustentável e pensado junto com a sociedade e a universidade para que a gestão ambiental das cidades seja implementada de forma efetiva.


Referências


https://jornal.usp.br/artigos/a-quem-interessa-a-revisao-do-plano-diretor-estrategico-de-sao-paulo-em-2021-em-plena-pandemia/

https://polis.org.br/#Projetos-Escondido




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