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A FAUNA DO SOLO E SUAS INTERAÇÕES COM O MEIO

Por Marco Antônio M. Brunheira Filho

Cada vez mais os microrganismos e pequenos invertebrados têm se mostrado fundamentais para a funcionalidade e manutenção do equilíbrio de parte tão importante dos ecossistemas, o solo. A parte viva do solo, sobretudo daquele em seu estado natural de conservação ou que passou por processos de restauração, sem considerar as estruturas de plantas e matéria orgânica, é composta majoritariamente, em ordem crescente de tamanho, por vírus (embora não hajam muitos estudos sobre sua interação com o meio), arqueas, bactérias, protozoários, fungos, artrópodes, nematóides (seres de corpo cilíndrico e alongado) e oligoquetas (minhocas). Estima-se que, em um ecossistema natural, é possível encontrar de 10.000.000 a 1.000.000.000 de células de microrganismos em apenas 1 grama de solo, grande parte delas atreladas à organismos invisíveis a olho nu (cerca de 10.000 espécies), que se diferem, sobretudo, nas características e necessidades do seu ótimo funcionamento metabólico. (CARDOSO; ANDREOTE, 2016).


Mas qual a importância de organismos diferentes desempenharem a mesma função?


Para entender a importância da variabilidade metabólica desses organismos basta pensarmos que o solo, enquanto parte dos ecossistemas, está sujeito às variações climáticas (chuvas, geadas, queimadas etc.) que interferem na temperatura, concentração de íons e quantidade de matéria orgânica do solo, todavia, é necessário que os processos bioquímicos ainda ocorram, como a degradação de matéria orgânica. A grande quantidade de diferentes microrganismos faz com que cada um deles apresente valores ideais de temperatura, pH e outros para seu ótimo funcionamento enzimático, tornando possível que, mesmo com alterações no meio, ainda ocorram processos importantes para a dinâmica do solo, entre eles, a aeração do mesmo por meio dos microporos deixados por invertebrados durante sua locomoção, fixação de nitrogênio no solo por meio da interação bactéria-planta (micorrizas), e degradação de matéria orgânica que promove o aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo, possibilitando a maior presença de macro e micronutrientes disponíveis para o desenvolvimento de plantas (CARDOSO; ANDREOTE, 2016).


Como o solo é capaz de compreender uma diversidade tão grande de microrganismos?


Ao analisarmos diferentes perfis de solo em um mesmo ambiente, embora próximos, comumente se observam diferentes quantidades de matéria orgânica, proporções entre as três principais partículas (areia, silte e argila), esta que influencia diretamente na formação de agregados, e espécies de microrganismos que se prendem aos agregados, essas divergências podem ter diversas razões, mas possibilitam a existência de uma biodiversidade rica ao longo do ecossistema, contando com diferentes organismos adaptados para específicos níveis de temperatura, pH, entre outros, impedindo que funções importantes sejam anuladas em situações adversas e com as próprias variações do tempo durante um dia (24 horas), essa heterogeneidade torna o solo um sistema dinâmico e vivo com “micro-habitats”, e a presença desses indivíduos o torna resiliente.


Como esses organismos interagem com o meio?


A interação dos diferentes organismos em um solo pode ser negativa, quando um dos envolvidos se prejudica na relação, ou positiva se nenhuma das partes é prejudicada. Um exemplo de interação negativa é o chamado “antagonismo”, onde, na busca por nutrientes, algumas bactérias podem produzir substâncias que diminuem o pH do solo a um nível onde o metabolismo de outras não consiga cumprir suas funções vitais, todavia, é comum observar interações positivas. Uma população de microrganismos, por exemplo, pode e comumente produz compostos fundamentais para o desenvolvimento vegetativo de plantas, caracterizando o chamado “comensalismo”. Além das interações com outras espécies, a microfauna também interage com o material orgânico presente no solo, onde encontram os nutrientes necessários para o seu ótimo desempenho metabólico (CARDOSO; ANDREOTE, 2016).


Referência bibliográfica


CARDOSO, Elke Jurandy Bran Nogueira; ANDREOTE, Fernando Dini. Microbiologia do solo. Portal de Livros Abertos da USP, [S.L.], p. 1-225, 2016. Universidade de São Paulo. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. http://dx.doi.org/10.11606/9788586481567. Disponível em: http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/109. Acesso em: 01 set. 2021.



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