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Neutralização de carbono por meio do plantio de mudas

Atualizado: Fev 16

Sabemos que nos últimos anos, a temperatura do planeta tem aumentado muito; em 2016, foi de 1.1°C acima do período industrial, de acordo com o World Meteorological Organization. O Brasil vem aumentando suas emissões desde 2014 (divulgado pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa).


Existem diversas maneiras de empresas investirem em projetos de sustentabilidade hoje em dia, ajudando não apenas a minimizar os impactos causados pelo aquecimento global, mas também a sua imagem dentro do mercado. Uma dessas maneiras é a neutralização do carbono emitido durante atividades realizadas pelas empresas, o qual causa impactos negativos ao meio ambiente.


A neutralização (também chamada de compensação), diferente da mitigação que tem intuito de evitar um impacto, é um processo feito após uma atividade já ter sido realizada, ou seja, os gases de efeito estufa já foram emitidos. O importante é que essa compensação gere benefícios ambientais na mesma proporção dos impactos causados.


Quando a neutralização é realizada em empresas, é necessário realizar um inventário de emissões, que basicamente é um levantamento para identificar o quanto está sendo emitido em cada etapa de seus processos, e sendo assim, saber quais ações poderiam mitigar ou neutralizar as quantidades de emissões de GEE.


As empresas podem optar por comprar créditos de carbono, ou realizar atividades que compensem esses impactos, como a troca de equipamentos para maior eficiência energética, melhorias na gestão de resíduo, ou plantio de árvores, que é um dos principais métodos utilizados.


Como surgiu o mercado de carbono?


O mercado de carbono foi criado juntamente com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, na ECO-92, a qual aconteceu no Rio de Janeiro. Assim, em 1997, em uma reunião na cidade de Kyoto (Japão), ficou decidido que os países participantes deveriam assumir compromissos mais rígidos para a redução das emissões de gases estufa. Por consequência, a diminuição da emissão desses gases passou a ter valor econômico, dando início à comercialização de créditos de carbono.


Ficou decidido por convenção, que uma tonelada de dióxido de carbono equivale a um crédito de carbono. Dessa maneira, os negociadores de carbono implementaram três mecanismos de mercado, sendo eles:

  1. Comércio de emissões, em que determina que nações as quais apresentam emissão de CO2 abaixo do permitido, podem vender o excesso a outros países que estão emitindo acima dos limites.

  2. Implementação conjunta, a qual permite que países desenvolvidos trabalhem juntos para atingir metas relacionadas à redução da emissão de carbono, por meio da realização de acordos entre os mesmos.

  3. MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), o qual permite que países em desenvolvimento, mesmo que sem metas de redução da emissão de carbono, possam contribuir e investir no mercado de carbono, negociando com países os quais tenham metas determinadas dentro do Protocolo de Kyoto.


E como o plantio de árvores pode ajudar?


Árvores absorvem CO2 pela fotossíntese, que é armazenado na biomassa. Elas também emitem CO2 quando respiram e quando morrem. Sendo assim, quando o carbono absorvido em uma floresta excede a emissão de CO2 pela respiração das árvores, ocorre o chamado sequestro de carbono.



Após o cálculo do quanto foi gerado de GEE pelas empresas, é possível realizar a quantificação de árvores necessárias para compensar as emissões.


A neutralização de carbono pelo plantio de árvores ocorre através desse sequestro de carbono da atmosfera. Uma árvore, em média, tem capacidade para armazenar 15,6 quilos de CO2 por ano, o que facilita muito a determinação de quantas árvores serão necessárias para neutralizar as emissões das empresas. Nesse investimento, o emissor se torna responsável pela compra, plantios e manutenção das mudas.


Além de investir em novas áreas de reflorestamento, o emissor pode também investir em áreas já consolidadas, com projetos de conservação. Nesse caso, muitas vezes as árvores já são adultas e contém grande estoque de carbono por hectare, e os custos de manutenção, como infraestrutura e administração, ficam por conta do emissor.


Por fim, é importante ressaltar que ao neutralizar/compensar as emissões de carbono, as empresas estão assumindo suas responsabilidades ambientais e reduzindo seus impactos no meio ambiente.


Referências Bibliográficas:

ECYCLE. Técnicas de neutralização de carbono: plantio de árvores. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/component/content/article/63-meio-ambiente/5070-neutralizacao-carbono-tecnicas-plantio-arvores-reflorestamento-conservacao.html>. Acesso em: 9 Out 2018.

Economia Estadão. Reduzir, mitigar e neutralizar: como as empresas se adaptando a uma economia de baixo carbono. Disponível em: <http://www.ibdn.org.br/2017/07/12/neutralizacao-de-carbono-descubra-o-que-e-e-qual-importancia-deste-processo/>. Acesso em: 9 Out 2018


IBDN. Neutralização de carbono: descubra o que é e qual a importância deste processo. Disponível em: <http://www.ibdn.org.br/2017/07/12/neutralizacao-de-carbono-descubra-o-que-e-e-qual-importancia-deste-processo/>. Acesso em: 9 Out 2018.


IPAM Amazônia. O que é e como funciona o mercado de carbono? Disponível em:<https://ipam.org.br/cartilhas-ipam/o-que-e-e-como-funciona-o-mercado-de-carbono/#Anexo-1> Acesso em: 15 fev 2021.

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