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Preservação das águas na cidade


Leticia Palumbo Felgueira


Simbolicamente a água sempre foi considerada o “elemento vital primordial” e definiu toda a história de evolução do ser humano, principalmente a água doce, que faz parte de apenas 2,4% de toda água que cobre o planeta, sendo que de toda água doce do planeta 99,6% é inacessível, presa em depósitos subterrâneos e camadas de gelo permanente, ou seja, apenas 0,4% é usada pelos seres vivos, não apenas o ser humano, mas também outros animais e plantas que dependem da água para prover suas necessidades.


É por isso que a impressão de que a água está “acabando” não é real, a quantidade de água no planeta é praticamente invariável há 500 milhões de anos devido seu ciclo hidrológico que mantém o equilíbrio no sistema hídrico do planeta, porém a sua distribuição e qualidade podem variar de acordo com uma combinação de geografia,mal gerenciamento, e consequências da mudança climática ( gerando secas e perdas de área úmida), sendo o maior problema atual a poluição e perda de água doce, principalmente as nascentes.


Você sabia que em Londres, estima-se uma perda diária de 300 piscinas olímpicas por conta de vazamentos e perdas causadas pela idade dos encanamentos?



As grandes cidades são as que mais demandam água, devido a grande quantidade de pessoas, geram uma pressão crescente na agricultura ( atividade humana que mais utiliza a água), além do próprio uso urbano e doméstico nas cidades, onde quase todo o solo é impermeabilizado, provocando inundações nas áreas baixas com muitos rios e nascentes “enterrados” que passam despercebidos pelas tubulações. Os loteamentos clandestinos e favelas, por nascerem normalmente a margem de rios e represas, também acabam poluindo reservatórios e nascentes, gerando erosão e levando ao assoreamento dos cursos d’água.



Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA)


O Brasil é o país mais rico do mundo em disponibilidade hídrica, com 13,7% de toda água doce disponível em uma das maiores redes de rio do planeta, com 90% do território recebendo chuvas abundantes o ano todo, entretanto 68% de toda água se concentra na região Norte, onde mora apenas 8% da população, fazendo com que 40 milhões de brasileiros tenham dificuldades de acesso a água de boa qualidade. Os principais problemas que afetam os rios e mananciais do Brasil são: salinização do solo em áreas de cultivo irrigado; rebaixamento do nível dos lençóis freáticos em regiões onde há superexploração de água subterrânea; poluição dos corpos de água devido ao seu uso como receptor de esgotos; crescimento desordenado das cidades e desmatamento de nascentes e margens dos cursos d’ água.


Ao mesmo tempo nota-se que cidades com problemas menores de água, como Nova Iorque, são aquelas com mais tradição na conservação de áreas de mananciais e de matas ciliares. Nesse caso, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e a Coalizão de Cidades da Bacia Hidrográfica implantaram uma ação na cidade para manter a qualidade da água e evitar a construção de uma usina de filtragem, com taxações adicionais de 9% nas contas de água, criação de um fundo de investimento ambiental para qualidade e economia da água, financiamento de metade dos custos privados para instalar sistemas de prevenção de contaminação das águas de chuvas, subsídios aos fazendeiros e criadores de animais que adotam melhores práticas de gestão,melhoras no manejo florestal; aquisição de terras em áreas hidrologicamente sensíveis; obras de proteção de margens e programas de manejo das terras.


Outro exemplo famoso é do Quênia, no qual calcula-se que a preservação da floresta do Monte Quênia economizou, sozinha, algo em torno de 20 bilhões de dólares para a economia queniana ao proteger as bacias hidrográficas dos rios Tana e Ewaso Ngiro, o que indica a importância de uma cultura que incentive a preservação de matas ciliares, mananciais e nascentes para a melhoria da qualidade da água na cidade, impactando positivamente social e economicamente a sociedade.




Referências


https://www.terrabrasilis.org.br/ecotecadigital/pdf/nascentes-do-brasil-estrategias-para-a-protecao-de-cabeceiras-em-bacias-hidrograficas.pdf


 


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