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Silvicultura de Nativas


Por Lara Dias Figueiredo


Primeiramente, é importante definir o que é silvicultura e porque é importante no Brasil. Esse termo define a ciência dedicada ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é a aplicação desse estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.


Há muito tempo essa prática é aplicada para obtenção de matéria prima destinada à produção de madeiras, feita do pequeno produtor até às grandes indústrias , além de, ainda, ser um importante instrumento de práticas de reflorestamento destinadas ao atendimento de diversas demandas ecológicas e ambientais.


Qual objetivo da silvicultura?

É o cultivo de povoamentos de florestas de acordo com as necessidades de mercado e produção. Assim que é garantida uma boa qualidade da produção, como a continuidade desta, pode-se dizer que é um processo de produção de madeira e PFNMs (produtos florestais não madeireiros) barato e abundante.


Todavia, existem algumas fases obrigatórias para o sucesso de um projeto de silvicultura, que são:

  • Estudo do clima;

  • Determinação da espécie;

  • Definição do material genético;

  • Produção de mudas, preparo;

  • Preparo do solo;

  • Controle de formigas e outros invasores;

  • Tratos culturais;

  • Tratos silviculturais e colheita planejada.

Outra perspectiva dos objetivos da silvicultura é além do interesse comercial e industrial, a preservação da floresta contra a erosão, desertificação, depauperação do solo, e proteção da fauna e flora de uma região, dadas às técnicas e fases obrigatórias citadas acima.

Espécies nativas, por que implementá-las?

Mesmo que as espécies exóticas sejam as mais utilizadas na silvicultura atualmente pela sua alta produtividade, elas competem com as espécies nativas, sendo necessário um desenvolvimento não explorado pelo Brasil em uma silvicultura alternativa, que explore o potencial das nativas e repense a produção viável de cada uma, de forma a criar um menor impacto ambiental em detrimento aos monocultivos de pinus e eucalipto.


Todavia, mesmo que as florestas nativas do país sejam conhecidas pela sua rica biodiversidade, o potencial de uso e potencial comercial ainda são pouco conhecidos.

“A silvicultura com espécies nativas tem o potencial de atender à demanda crescente por madeira tropical serrada e gerar outros diversos benefícios, como reduzir o desmatamento e a degradação florestal, manter e melhorar os serviços ambientais e a conservação da biodiversidade, remover milhões de toneladas de carbono da atmosfera, gerar milhares de empregos verdes, aumentar a renda e catalisar financiamento público e privado. No entanto, mudar a fonte do fornecimento de madeira tropical de florestas naturais, extraída ilegalmente ou sem critérios técnicos, para florestas naturais sob manejo sustentável e plantações florestais, no futuro próximo, requer políticas públicas e investimentos para combater a ilegalidade no manejo de florestas naturais e pesquisa e desenvolvimento (P&D) com espécies nativas para reflorestamento. Um programa de P&D para espécies nativas pode buscar inspiração no sucesso dos setores de silvicultura e agronegócio do Brasil, que juntos representam mais de 20% do PIB brasileiro.” (PIOTTO et al., 2020)

O que pode ser feito?

No último tratado, o Brasil se pactuou em restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, assim, sendo necessário silvicultura com espécies nativas para os projetos de restauração. O estudo chamado “Research gaps and priorities in silviculture with native species in Brazil” diz sobre a indispensabilidade da produção e restauração do país se basearem em nativas.


Entretanto, esse estudo apresenta que o investimento do país em pesquisa em desenvolvimento nessa área é muito baixo para que tenha resultados viáveis e executáveis, já que existem lacunas em pesquisas de sementes e mudas, melhoramento genético ou manejo dessas espécies. É proposto que os recursos sejam direcionados aos estudos de espécies nativas promissoras para produção, e foram citadas 15 espécies da Amazônia e 15 da Mata Atlântica.


Uma das espécies que podem ser mais exploradas são os jatobás (Hymenaea courbaril Linnaeus), podendo ser plantado desde condição de bordas e clareiras até fechamento de dossel, todavia não tolera baixas temperaturas. A madeira dessa espécie é utilizada em construção civil em áreas externas e internas, carpintaria e em ferramentas e implementos agrícolas. De PFNM, essa espécie é usada na medicina popular, sua resina é usada no tratamento de bronquite, asma, deficiência pulmonar e laringite, entre outras. Nas folhas de jatobá há presença do repelente volátil epóxido cariofileno, que inibe o corte das mesmas.


E o mais importante, é que essa espécie pode ser utilizada em sistemas silvipastoris, pois a sombra de sua copa não afeta a produção de matéria seca do capim-andropogon, em uma densidade de 100 indivíduos/ha, além de ser possível a implementação em sistemas agroflorestais.



Fonte: G1 - Jatobá tem usos medicinais e é árvore que ajuda no reflorestamento - notícias em Terra da Gente (globo.com)

Outra espécie é a sapucaia (Lecythis pisonis Cambessédes), sua madeira é indicada para construções externas, na construção civil e na construção naval, produção de carvão de alta densidade, e suas amêndoas são saborosas e nutritivas como as castanhas-do-Brasil, porém não alcançam a importância econômica desta porque são muito procuradas pelos animais. (SOUZA, 2012)



Fonte: Sapucaia (Lecythis pisonis) - FazFácil (fazfacil.com.br)


Referências:


PIOTTO, Daniel et al. O potencial inexplorado da silvicultura de nativas no Brasil. WRI BRASIL, [s. l.], 6 nov. 2020. Disponível em: https://wribrasil.org.br/pt/blog/o-potencial-inexplorado-da-silvicultura-com-nativas-no-brasil-e-importancia-de-pesquisa. Acesso em: 1 ago. 2021.


ROLIM, SAMIR GONÇALVES et al. RESEARCH GAPS AND PRIORITIES IN SILVICULTURE OF NATIVE SPECIES IN BRAZIL. WRI BRASIL, [s. l.], 1 out. 2019. Disponível em: https://wribrasil.org.br/sites/default/files/AF_WRI_WorkingPaper_ResearchGapsInSilviculture_digital_0.pdf. Acesso em: 1 ago. 2021.


SOUZA, MARÍLIA GRASIELA OLIVEIRA DA SILVA. CRESCIMENTO DE ESPÉCIES FLORESTAIS EM POVOAMENTOS PUROS E SUA INFLUÊNCIA SOBRE ATRIBUTOS EDÁFICOS EM TRAJANO DE MORAES, RJ. 2012. Dissertação (Mestre em Produção Vegetal) - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, [S. l.], 2012. Disponível em: http://www.uenf.br/Uenf/Downloads/PRODVEGETAL_3434_1347902959.pdf. Acesso em: 1 ago. 2021.


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